Uma ouvinte pergunta se Adão e Eva realmente existiram.



         Mais uma vez lembramos que a Bíblia, embora contenha livros históricos, não é um livro histórico, mas, acima de tudo, teológico, ou seja, trata da experiência de fé e de vida que o povo de Israel, no Antigo Testamento, faz com Javé e o povo cristão, no Novo Testamento, faz com Jesus Cristo. A experiência de fé é tão rica, que precisa muitas vezes recorrer a imagens e simbologias para expressar essa riqueza.
         O Catecismo da Igreja Católica nos ensina, no parágrafo 362 o seguinte: “A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico [da Criação] exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que ‘O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente’ (Gn 2,7).”  Assim, Maria Madalena, a Igreja reconhece que a narrativa da criação de Adão e Eva é simbólica e não histórica. Embora não tenham existido, Adão e Eva simbolizam o homem e a mulher em geral, criados por Deuse, portanto, queridos por Ele; criados para viver em unidade (“não é bom que o homem esteja só”), feitos um para o outro; criados bons, ou seja, em estado de santidade e de justiça social; criados à imagem e semelhança de Deus, o que lhes concede a dignidade de pessoa, ou seja, não é uma coisa, mas alguém criado para servir e amar a Deus e oferecer-lhe toda a criação.
         Na língua portuguesa, não dá para perceber o sentido dos nomes de ambos. Adão é nome que vem do hebraico “Adam”, que significa “homem”, e Eva é nome que deriva também do hebraico “havvah”, que significa “Mãe de todos os viventes”. Pelos nomes de Adão e Eva no original hebraico também podemos perceber que são personagens simbólicos que representam todos os homens e todas as mulheres.

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